Quanto cabe em um segundo? Pode ser um sopro de alívio, um grito, um chamado. Pode ser um passo, um estampido, um tapa, um gemido. Cabe nele o silêncio mais profundo, o sim ou o não. Pode ser a diferença exata entre ver e enxergar ou atinar para a solução da dúvida de uma vida toda. Um segundo pode conter a decisão entre o salto ou não. Em um segundo cabe o desespero da solidão, uma dose inteira na garganta de whisky de segunda mão. o sorriso debochado, o palavreado escrachado do “foda-se”, do “fica” e do “adeus”. Olhe ao seu redor. Convenhamos, em um segundo cabe tudo isso e a sensação é de explosão. Mas depois, no segundo seguinte ele passa e leva tudo. No arrastar do ponteiro engole a vida, devora instantaneamente o presente, vira lembrança, vira saudade, vira ilusão, vira um próximo segundo lotado de opções.